Categorias

16 de fev. de 2011

Poemas


GESSO

Esta minha estatuazinha de gesso, quando nova
- O gesso muito branco, as minhas linhas muito puras -
Mal sugeria imagem da vida
(Embora a figura chorasse).
Há muitos anos tenho-a comigo.
O tempo envelheceu-a, carcomeu-a, manchou-a de
[pátina amarelo-suja.
Os meus olhos, de tanto a olharem,
Impregnaram-na de minha humanidade irônica de tísico.

Um dia mão estúpida
Inadvertidamente a derrubou e partiu.
Então ajoalhei com raiva, recolhi aqueles tristes fragmentos,
[recompus a figurinha que chorava.
E o tempo sobre as feridas escureceu ainda mais o sujo
[mordente da pátina...
Hoje este gessozinho comercial
É tocante e vive, e me fez agora refletir
Que só é verdadeiramente vivo o que já sofreu.


Lição
Que engraçada coisa a vida
É o professor mais sutil
Lhe tira a alegria, te ensina a ser forte
Faz-lhe implorar a morte
E depois com lindas coisas o presenteia.

Como a aluna mais assídua
Desse exímio professor
Quando a morte eu já havia implorado
Ele me presenteia com um amor.

Um amor puro e diferente
Em sua essência. Original!
Surgido do inesperado - e esperado-
Com tanto anseio por aquele
Que lindo presente deu-me depois do mal.

A este professor agradeço
E te peço: Atenção.
Já aprendi a ser forte.
Por favor não revogue
Meu mais perfeito motivo de canção.

Angélica Najla

2 comentários: